O sangue verdadeiro dos Pokémons de Nice

01/08/2016 13:07

15 de julho de 2016

Duas cenas. Tragicamente antagônicas. Uma brinca, a outra mata. Enquanto de um lado da rua celulares se tornam diversão, do outro lado corpos se espalham pelo asfalto. Milhões de downloads em minutos, mais de 80 mortos em segundos. Dois mundos – um real e o outro virtual – escancarando de jeitos opostos a carência humana por algo mais.

Confesso que fui profundamente surpreendido por estas duas informações que se misturaram vorazmente em meu panteão de ideias. Presenciando tamanho contraste, não posso ficar impassível. Vivemos em um mundo que clama aterrorizado pela intervenção divina do “basta”, enquanto se distrai perigosamente na ameaçadora zona de conforto do “ainda não”.

Há poucos dias, o mundo presencia mais uma disruptura da tecnologia e entretenimento: munidos de celulares nas mãos, seres humanos estão saindo às ruas para buscar de maneira real personagens imaginários que só aparecem nas telas digitais. É o Pokémon-GO, uma verdadeira febre que já ultrapassou o alcance acelerado das maiores redes sociais, como Facebook e Snapchat. Por onde foi lançado, dizem que é diversão garantida para quem quer mergulhar na realidade aumentada interagindo “ao vivo” coisas virtuais com cenários reais através de dispositivos mobile. Mas, também, é perigo à vista: em poucas horas do lançamento desta brincadeira pandêmica, já houve casos de carros batidos em árvores e postes pela distração irresponsável de motoristas “à procura de pokémons de mentira” enquanto dirigiam de verdade. No Brasil, o game chegará em 02 de Agosto de 2016, e certamente arrebatará zilhões de jogadores que também andarão a esmo buscando bichinhos virtuais em experiências reais.

Há poucas horas, nosso planeta também assiste atônito a outro surpreendente acontecimento – só que desta vez sem nenhuma graça, sorriso ou curtição. Pelo contrário, o dejeto intolerante da crueldade humana dessa vez se aproveitou dos lindos fogos de artifício para espalhar o terror ceifando vidas inocentes. Na charmosa cidade francesa de Nice, durante o espetáculo familiar da celebração da Queda da Bastilha, um caminhão acelerou implacável contra uma multidão desatenta que só percebeu a tragédia quando ela já acontecia. Por mais de dois quilômetros da belíssima orla da Cote D’azur, no Mar Mediterrâneo, o pânico se instalou misturando o desespero de quem fugia desnorteado com o sangue dos corpos atropelados sem misericórdia. Até agora, entre adultos e crianças, famílias e inocentes, foram 84 mortos e pelo menos 202 feridos em outra ação covarde do terrorismo que nos assombra.

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